quinta-feira, 19 de agosto de 2010

e cala.

não sou nada.
nunca serei nada.
não posso querer ser nada.
à parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

arre, estou farto de semideuses!
onde é que há gente no mundo?
então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
não me falem de moral!
tirem-me daqui a metafísica!
das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!)
queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável?
queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
assim, como sou, tenham paciência!
vão para o diabo sem mim,
ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
para que havemos de ir juntos?


... cala.
o mais é nada.

aos homens mais fantásticos que conheci esse ano: Marcos e Altair. nessa ordem.

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