segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

perturbador? assustador? delirante? muitos adjetivos foram ouvidos na saída da sala, mas o certo é que não dá para ficar impassível diante da grandeza das imagens e do som da produção. os acordes da "suíte do bailado" (ato mais conhecido da obra) permanecem na cabeça por um bom tempo, após o acender das luzes.
Cisne Negro não é uma vitória apenas para Portman; Darren Aronofsky exibe uma inteligência admirável ao forçar o público a compartilhar a paranóia de Nina não só através do design de som, que ilustra seu medo do fracasso, mas também seu crescente desequilíbrio psíquico e emocional, começando em pequenos instantes de incerteza, até atingir uma espécie de esquizofrenia descontrolada. além disso, o cineasta confere autenticidade ao projeto ao enfocar em detalhes o cotidiano das bailarinas, como ao mostrá-las “quebrando” as sapatilhas e arranhando o solado para aumentar o atrito.

fotografado com talento por Matthew Libatique, que utiliza as sombras com eficiência para estabelecer o clima sufocante da narrativa, Cisne Negro também é beneficiado pela excepcional trilha sonora de Clint Mansell, outro colaborador habitual de Aronofsky, que parece incorporar versões dissonantes dos temas concebidos, remetendo constantemente ao balé que se torna uma obsessão dos personagens ao mesmo tempo em que o transforma em algo próprio e profundamente evocativo. e se o design sonoro de Brian Emrich e Craig Henighan merece uma terceira menção neste texto ao evocar também O Lago dos Cisnes através de ruídos como o bater de asas que acompanha sutilmente certos movimentos da protagonista, os efeitos visuais empregados pela produção também se apresentam fabulosos não só pela maneira orgânica com que são incorporados ao projeto, mas também pela qualidade técnica apresentada (e aqui me refiro especificamente aos acontecimentos – que não irei revelar, obviamente – vistos no terceiro ato da projeção).
já falei de 6 prováveis indicações ao Oscar? adicione ai às indicações mais que merecidas a melhor filme, roteiro, e atriz coadjuvante para Mila Kunis, com sua personagem extremamente sensual. e chegamos agora à décima indicação ao Oscar, a mais merecida de todas: Melhor Atriz. Natalie Portman que já teve uma brilhante atuação em “Closer – Perto de mais” (em que carregou o filme sozinha), dessa vez se superou. Natalie teve a interpretação da sua vida, indo de doce e inocente a obcecada e sexy em menos de duas horas de filme. juntou interpretação dramática, passos de balé, atuação psicótica e foi perfeita. (Ela realmente foi perfeita.). com isso Natalie deve dar o terceiro Oscar para cisne negro, das prováveis dez indicações. (espero que não venha à academia com suas besteiras e jogue minhas previsões por água abaixo).

enfim black swan merece ser visto. certamente um dos melhores filmes dos últimos anos.



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